Buscar

Resistência: por que é difícil colocar em prática o que desejamos?


Foto: escultura de Atlas na fachada do Palácio de Linderhof (Alemanha)/ Wikicommons

Você já se sentiu bloqueado ou bloqueada para colocar em prática algo que realmente queria fazer?


Isso é muito comum. Uma a cada cinco pessoas no mundo é procrastinadora crônica, citou a escritora Heather Murphy em artigo no jornal The New York Times.


Na prática, isso significa que as pessoas estão deixando para depois o que deveria ser feito agora. A conhecida procrastinação.


Afinal, é mais fácil deslocar o compromisso para o porvir do que negá-lo por completo.

A procrastinação é um dos apelidos de uma força que pode estar nos dominando. Quando essa força vence a batalha, talvez seja mais fácil deflagrar uma guerra do que colocar em ação o que queremos.


Ainda mais hoje em dia, em tempos em que a economia da atenção ilustra o nosso vício pela infinita atualização dos acontecimentos e das conexões. Não há mais tempo, pois ele é incessantemente ocupado pela velha novidade.


Em outra ótica, o incômodo com as realizações do outro é um dos indícios de que não estamos alinhados com a nossa vida autêntica – ou sequer nem ao menos sabemos o que desejamos. É assim que a desconhecida força declara vitória para a frustração.


Uma força sem energia própria

Esse inimigo tem um nome: resistência.


Também o conhecemos por outros apelidos: autossabotagem, autoengano, autonegação, bloqueio criativo, falta de inspiração, críticas desconstrutivas e a já citada procrastinação.


A resistência nada mais é do que a força contrária da criação. Quando ela está presente, a criatividade se retira.


O escritor americano Steven Pressfield resolveu investigar como desmobilizar esse inimigo destituído de força própria, mas que sorve a nossa energia.


A própria vida de Pressfield foi dominada pela luta contra resistência.


A resistência se disfarçava em atribulações diárias maximizadas e não deixava espaço para colocar em prática o seu sonho de ser escritor.


Na verdade, o contra-ataque não era desferido nessa força por causa do medo.


Medo de quê?

Após conseguir vencer momentaneamente a resistência e escrever algumas páginas, foi isso que Steven Pressfield se perguntou.


Afinal, não tinha o que temer: o trabalho foi feito e nada de mau lhe aconteceu.


O medo é um artifício da resistência originado na dúvida. A imaginação desenha respostas antecipatórias sobre o vazio.

É mais fácil ocupar esse vazio com antecipações de fracasso, do que se lançar para preenchê-lo com a ação incerta.


Erros: o pavimento para o sucesso

Esquecer a longa estrada que é percorrida entre o início e a conclusão de uma obra é fortalecer a resistência.


A estrada para o sucesso é, geralmente, pavimentada com erros e fracassos.


E essa estrada não é linear. Os revezes ocorrem a cada esquina, mas são superados ao longo do caminho para quem sabe aonde quer chegar.


Quanto nos abrimos para errar sem medo, mais aprendemos. E isso nos faz errar menos.


Como limitar o espaço da resistência

Se não tiver espaço para se manifestar, a resistência não se manifestará. Mas como fazer isso?


A resposta está em como manejar o tempo. Isso é o Princípio de Prioridade, que diferencia o urgente do importante.


O que deve ser feito primeiro?


O importante: que é o seu ofício!


Ao seguir esse princípio com disciplina, as mensagens que explodem no celular, por exemplo, são descolocadas para o tempo destinado a elas.


E a inspiração?

O toque mágico da musa inspiradora acontece sempre durante o trabalho, não antes dele.


Por isso, a energia deve ser voltada para começar o ofício e não para esperar que a inspiração impulsione para a ação.


Uma vez perguntaram para o escritor Somerset Maugham se ele só escrevia quando tinha inspiração. “Escrevo apenas quando a inspiração me vem”, respondeu. “Felizmente, ela vem toda manhã às nove horas em ponto”.


Cuidado com as resistências dos outros!

Ao olharmos para o nosso interior e domarmos as nossas resistências, ainda assim não estaremos imunes ao seu ataque. Ela vai se corporificar em outro lugar: no outro.

Quando estamos desmobilizando a nossa própria resistência, as pessoas ao nosso redor podem agir de modo estranho. Podem ficar amuadas, mal-humoradas ou até mesmo doentes. Isso acontece porque as pessoas lembram de suas próprias resistências.


Quem está sob seu domínio também pode desvelar suas resistências quando disparam ofensas disfarçadas de críticas construtivas – sempre críticas sem critérios.


Steven Pressfield nos alerta: “Se você se vir criticando outras pessoas, provavelmente estará agindo assim por resistência. Quando vemos os outros começando a viver suas vidas autênticas, ficamos loucos se não estivermos vivendo a nossa própria vida real”.


O último elemento: a força do coração

A partir do momento que você superar a procrastinação, entender que a inspiração só aparece durante o trabalho e perceber que as críticas pouco importam, você se tornou um profissional. E essa é a única forma de manter a resistência sob controle.


Ainda assim, um último elemento é necessário: a coragem.


Agora é mostrar sua obra ao mundo.


Mas sabe por que esse elemento já existe dentro do seu trabalho?


A raiz etimológica da própria palavra dá o indício. Coragem vem do latim “coraticum”, que significa coração – e também confiança e compromisso.


Tudo o que é feito com o coração vem com doses de coragem.


Falamos muito mais sobre esse assunto no episódio “Resistência: por que é difícil colocar em prática o que desejamos”, do Podcast Imago Mundi. Se esse assunto conversa com você – e, acredite, ele conversa com muita gente – aperte o play e ouça mais:


E, para apaziguar essa resistência que leva à autossabotagem, conheça O Caderno da Autossabotagem.



No Caderno da Autossabotagem, trazemos 74 perguntas e exercícios transformadores para você cortar o mal pela raiz e desvitalizar a autossabotagem. Se você deseja se aprofundar, clique aqui.