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Inveja: o mal secreto cotidiano



Nem só por bons sentimentos é povoada a alma humana. A inveja é um exemplo disso. E esse mal secreto é corriqueiro, se esconde atrás dos comentários justificados como "críticas construtivas", das leves piadinhas, e de muitos outros disfarces do maldizer.


Boa parte das vezes, os discursos invejosos podem ser inconscientes para quem fala. Mas para quem o ouve... pode ser bem perceptível. Isso porque ela é um véu que cega a pessoa frente a seus próprios atos.


A origem da palavra já denuncia o que ocorre: do latim in vedere, significa “não ver”; o invejoso não quer ver as conquistas do outro justamente por não ver as suas próprias. A realidade, assim, ganha toques surreais de fantasia.


Se cobiçar é querer igual ao que o outro tem; invejar é querer que o outro não tenha, é destruir o que tem. Mas acaba sendo autofágico: destrói quem sente.


Há quem pense que as redes sociais, como o Instagram, “inventaram” a inveja. "Por mim, acabaria com essa rede", dizem justamente aqueles que não conseguem viver sem a atualização da vida do outro. Uma inversa metonímia de destruição: o todo pela parte. Acaba a plataforma e acabaria junto a (fonte de) inveja.


Mas, na verdade, ela só revela o que já existia. Por isso é tão insuportável ver a vida do outro, seja nas telas ou em qualquer parte. Se não fosse na rede, seria com o olhar demorado para a casa do vizinho ou mesmo o sorriso amarelo frente à alguma conquista de um amigo.


“A inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde”, disse Zuenir Ventura.


Existe um antídoto contra a inveja?


“A felicidade”, respondeu o pensador Bertrand Russell. Mas, contraditoriamente, é justamente a inveja o maior empecilho para a felicidade, já que o invejoso é infeliz. “O único remédio contra a inveja [...] é a felicidade – e o problema é que a inveja constitui um terrível obstáculo para a felicidade”, escreveu.


E Russell completa: “Quem quiser aumentar a felicidade humana deve buscar aumentar a admiração e reduzir a inveja”. Esse deve ser um esforço ativo e diário, e não um ideal discursivo.


E você, já sentiu inveja alguma vez na vida?


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Foto: Sammy Williams/Unsplash