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Alimentação arco-íris: como o espectro solar pode nutrir a sua alma?

Este texto foi publicado originalmente na Revista Inspira, edição #5, outubro de 2020.


Foto: Galvão Menacho/ Pexels


Somos feitos de corpo e alma, e a alma também precisa de alimento. Gabriel Cousens, médico e mestre espiritual norte-americano, é o canalizador da “dieta arco-íris”. Na matéria abaixo, comentamos sobre os benefícios dessa alimentação que mistura a energia do Sol, as cores dos alimentos e a nutrição de nossos aspectos mais subjetivos a partir dos chakras.

O cientista e astrônomo Carl Sagan tinha uma frase que ficou muito famosa: “Se você quiser fazer uma torta de maçã a partir do zero, você deve primeiro inventar o Universo”. Já pensou nisso?


Se não fosse um conhecimento comum, nós – que moramos em cidades urbanizadas – talvez passaríamos a vida acreditando que as coisas que comemos nascem de alguma salinha dentro do supermercado. Quando pensamos no processo de produção de uma maçã, por exemplo, o mais próximo que nossa mente pode nos levar às origens dessa fruta é à relação do agricultor com a terra. Mas não refletimos sobre todo o encadeamento bioquímico e energético empreendido pelos elementos da natureza para que, um dia, a semente tenha virado macieira; para que só então, um dia, a macieira tenha decidido dar frutos que, um dia, estarão na nossa torta hipotética.


A distância nos afasta do fascínio que esses alimentos exercem naturalmente sobre nós. Você pode comer receitas feitas com muito queijo, carne ou industrializados e achar uma delícia, mas é sempre aquele colorido que vem do reino vegetal que vai fazer com que vejamos a beleza em nossas mesas.


É exatamente disso que o médico de formação e mestre espiritual Gabriel Cousens escreve em seu livro Spiritual Nutrition: Six Foundations for Spiritual Life and the Awakening of Kundalini (ou, em tradução livre, “Nutrição espiritual: seis princípios para uma vida espiritual e para despertar a kundalini”): sobre uma nutrição que não se conecte apenas com a saúde do corpo, mas também com a saúde da alma. Uma alimentação que possa nos religar e elevar espiritualmente a partir do realinhamento com a vibração primordial que tudo criou.


Se você passou por uma tempestade, talvez tudo o que a sua alma precisa é do arco-íris que vem logo em seguida.


De acordo com Cousens, que é também diplomata do Conselho de Medicina Holística dos Estados Unidos, os alimentos vegetais são a luz solar condensada e colorida, refletindo os mesmos padrões do espectro de um arco-íris. “Comida é energia e também matéria. A cor dos alimentos é fundamental para o padrão energético dos alimentos e como seus nutrientes biomoleculares serão ligados a células específicas e tecidos em nossos corpos. A cor de um alimento é a sua assinatura”, explica em seu livro.

"Comer alimentos pelas suas cores é como comer uma determinada cor do sol. Isso nos aproxima das forças da natureza" - Gabriel Cousens.

Há muitos anos que a cromoterapia e a ciência alegam a influência das cores em nosso aparelho psíquico. Normalmente, essas experiências falam do efeito da visualização de cores, e não da ingestão de cores. O método de cura que Gabriel Cousens descobriu intuitivamente investe justamente na segunda experiência. De acordo com ele, “comer alimentos pelas suas cores é como comer uma determinada cor do sol. Isso nos aproxima das forças da natureza”.


Em seu centro no Arizona, o Instituto Tree of Life, o médico holístico recomenda a seus pacientes alimentos naturais de cores diferentes responsáveis por energizar, equilibrar e curar os chakras das cores correspondentes.


Os chakras são um conceito da tradição hindu. Em poucas palavras, chakras são vórtices de energia localizados ao longo da coluna vertebral. São sete, ao todo, e cada um corresponde a uma das cores do arco-íris e a diferentes aspectos do ser humano: físicos, emocionais, mentais e energéticos.


Apesar de toda essa aura espiritual, a Dieta Arco-Íris – como Gabriel Cousens chama seu método – não é apenas o despertar de uma cura espiritual, ele também sugere que a dieta estimule a manutenção de uma boa saúde física dos órgãos correspondentes a cada chakra. Uma vez que cada chakra compreende também os respectivos órgãos e glândulas de seus arredores, o alimento da cor correspondente seria capaz de energizar, limpar e reequilibrar essas partes de nosso organismo também.


Ele ampara suas conclusões em uma experiência feita por ele mesmo utilizando a técnica de sinal autonômico vascular (em inglês representada pela sigla VAS). Apesar da experiência não ter seguido o rigor científico e ter um caráter bem inicial, ele afirma ter sido possível observar as reações positivas de cada parte do corpo, relacionadas a diferentes chakras, diante de alimentos de suas respectivas cores.


Seguindo a teoria da dieta do arco-íris, alimentos verdes, por exemplo, corresponderiam ao chakra cardíaco, localizado no coração. Além de inspirar a manifestação do amor incondicional nos corpos mais sutis, ao consumi-los estaríamos levando saúde para os órgãos nas proximidades do chakra. Vale lembrar que, em concordância com estudos científicos, alimentos vegetais verdes são ricos em cálcio, magnésio e potássio, que são muito importantes para a função cardíaca.


De acordo com o médico e escritor, na Dieta do Arco-íris: “o foco não está na terapia das cores como tratamento para doenças, mas como um caminho natural através de nossas dietas diárias para equilibrar e tonificar o corpo, os chakras individuais e o sistema de chakras como uma unidade. É para manutenção da saúde em todos os níveis”.


De uma linha holística, Cousens defende os benefícios da alimentação viva e vegeratiana há muitas décadas. Dessa forma, ele exclui junk foods, fast foods, alimentos com corantes, congelados, ou de micro-ondas da sua cartela de cores. As carnes também não entram na lista, pois segundo ele – além de não serem harmônicas com a natureza – estimulam muito o primeiro chakra, o chakra raiz, um chakra bastante conhecido por sua ligação com o terreno e com a sobrevivência no mundo material. De outro lado, pode-se ingerir: vegetais, frutas, nozes, sementes e grãos. E abre-se uma exceção para ovo-lacto-vegetarianos, que podem – de acordo com ele – continuar consumindo ovos.


As cores de cada alimento normalmente são as que se encontram na parte externa de cada vegetal, pois é a superfície refletora, a parte que entrou em contato direto com a luz. Abaixo, apresentamos exemplos de vegetais relacionados a cada chakra e os benefícios espirituais que podemos colher a partir da ingestão de cada um deles.


Na dieta arco-íris nenhuma cor ou chakra deve ser deixado de lado. Apesar de que, haverá dias em que certas cores serão mais atraentes do que outras, e aí basta seguir a intuição. No cronograma original de Gabriel Cousens, ele indica, pela manhã, consumir alimentos majoritariamente vermelhos, laranjas e amarelo-dourados (três primeiros chakras). Ao meio-dia, amarelo-dourados, verdes e azuis (do terceiro ao quinto chakras). À noite, do quinto ao sétimo chakras: alimentos nas cores azul, índigo, violeta-roxo e branco ou dourado.


Alimentos brancos, como a couve-flor (e os ovos), representam todo o espectro do arco-íris junto e podem ser usados em qualquer refeição. E é claro que você pode comer um tomate, que é vermelho, no almoço também. Mas a ideia é que as cores predominantes do seu prato sejam às indicadas acima.


Uma boa forma de integrar essas cores no seu dia a dia é com sucos, saladas e sopas. Se alimentar assim não vai fazer de você um iluminado, mas pode trazer mais harmonia e centramento para a sua vida.


A sua alma pede que cor?


VERMELHO

Chakra da base: quando alinhado, proporciona motivação e vontade, poder de concretizar planos.

No corpo físico: rege as estruturas que dão sustentação ao corpo físico, como ossos, músculos, coluna vertebral, quadris, pernas e pés. Glândula suprarrenal, rins, próstata, útero, circulação sanguínea, tensão arterial e nervosa.

Alimentos: maçã, tomate, pimentão vermelho, cereja, framboesa, uvas vermelhas, morango, melancia.


LARANJA

Chakra sacro: quando alinhado, desperta a criatividade, a fertilidade e a energia sexual equilibrada.

No corpo físico: testículos, ovários, toda a área genital e urinária.

Alimentos: cenoura, abóbora, abóbora cabotiá, inhame, batata doce, laranja, manga, mamão, damasco.


AMARELO

Chakra umbilical: nele ficam retidas emoções densas como a raiva, a mágoa, o medo, a tristeza e a ansiedade. Por isso é preciso sempre equilibrá-lo. Quando alinhado, nos leva a um poder de realização e a confiar em nós mesmos.

No corpo físico: pâncreas, vesícula, fígado, aparelho digestivo.

Alimentos: milho, banana, pêssego, abacaxi, melão, pêra e nectarina. De acordo com Cousens, frutas cítricas também entram na classificação do amarelo.


VERDE

Chakra cardíaco: fica no meio, e tem por função equilibrar as energias de todos os outros chakras. Está relacionado à expressão do amor, compaixão e do altruísmo e ao amor por si e pela própria vida. Alinhá-lo leva com que nos tornemos um canal para que o amor chegue ao mundo.

No corpo físico: coração, glândula timo, sistema imunológico e cardiorrespiratório, mamas.

Alimentos: todas as folhas verdes, como couve, rúcula, alface, salsinha, espinafre, agrião, acelga, taioba, ora-pro-nóbis etc. Brócolis, abacate e repolho.


AZUIS

Chakra laríngeo: quando bem cuidado, ele impede que energias mais emocionais cheguem até a nossa cabeça. É responsável por uma boa autoexpressão e comunicação.

No corpo físico: tireóide, boca, garganta, vias respiratórias.


ÍNDIGO

Chakra frontal: cuida da nossa imaginação e intuição, assim como do poder de raciocínio e de aprendizagem. Quando desalinhado, pode levar à congestão mental.

No corpo físico: olhos, nariz, glândula pituitária e lobo frontal.


Alimentos: mirtilo, ameixa, uvas cabernet. (Tanto para o laríngeo quanto para o frontal).


VIOLETA

Chakra coronário: energiza o cérebro e por isso regula o sono, o apetite e o humor. Relacionado à espiritualidade e à sensitividade. Traz a consciência de que a vida está ordenada a um propósito. Felicidade.

No corpo físico: glândula pineal.

Alimentos: berinjela, batata doce roxa, beterraba, repolho roxo, cebola roxa, amora, ameixa, repolho roxo, cebola roxa, figo.