Buscar

O que significa ter Atena como deusa interior?


Mulher jovem posa jogando xadrez com seriedade e ar de estrategista
Foto: Emre Keshavarz/ Pexels

O que significa ser uma mulher-Atena? Ou o que quer dizer ser um homem-Atena? Quais são as características psicológicas levantadas pela deusa Atena? Atena é a deusa da sabedoria, da coragem heroica e da criatividade prática na mitologia grega. Mais que uma figura religiosa dos tempos antigos, ela representa um padrão de comportamento que age a partir do inconsciente explicando os tipos de consciência, mecanismos de defesa e os padrões de repetição que uma pessoa que se identifica com o arquétipo pode desenvolver.

Neste episódio do Podcast Imago Mundi, demos os nomes aos conteúdos internos que nos movem a partir da identificação com o arquétipo de Atena. Aqui, a gente resumiu alguns tópicos que surgiram nessa análise da deusa Atena a partir da perspectiva do autoconhecimento e da Psicologia Analítica. Acompanhe o episódio na íntegra agora mesmo apertando o play:



Será que você tem uma Atena dentro de você?

Quem tem Atena como arquétipo dominante costuma ser aquela pessoa que planeja e executa. Essa é uma personalidade prática, disciplinada, ambiciosa, competitiva, incansável, que costuma analisar bem o que quer e buscar os pontos que precisa para chegar lá. Se guiando pela tríade análise-planejamento-execução, essa pessoa costuma simplificar tudo, até os próprios sentimentos.


Algumas vezes, você pode ser rotulada(o) como “coração de pedra”. Em outras, isso se torna uma força e você exibe um autocontrole impecável para manejar situações delicadas com a frieza e perspicácia que o momento pede. Algo que muitos não conseguiriam.


O justo equilíbrio da consciência

Atena é uma deusa que já nasce pronta para a guerra. Mas não a guerra bárbara e hostil, dominada pela raiva desordenada de Ares. Atena era a deusa da guerra justa, delimitada por regras e estratégias.


A principal mensagem que essa deusa quer acordar em nós é a de que temos uma consciência e de que é preciso usá-la. Caso contrário, ficaríamos presos como um hamster que dá cansativas voltas na mesma rodinha, sendo dominado pelos próprios impulsos e pelas reações que os outros provocam em nós instintivamente. Ela lembra que podemos fazer escolhas.


A filha do papai

No entanto, na correria do dia a dia, – agindo como robôs programados – é muito fácil se esquecer disso. E vamos projetando a nossa autoridade em figuras externas. Como Atena, obediente ao seu poderoso pai Zeus.


Em quantas figuras externas não projetamos cegamente nosso poder a fim de sermos escolhidas(os) – ou mantermos a instável posição – de queridinhos do papai (ou do chefe, do marido, da esposa, da mãe, dos filhos, dos amigos etc)?


Quando nos conscientizamos de que o poder que projetamos nos outros é, na verdade, nosso, e que nós é que realmente estamos no controle da parte que nos cabe de nossas vidas, esse poder pode retornar para o lugar de onde veio: você mesmo.

A donzela presa na armadura

Apesar da pesada armadura com a qual Atena é retratada em todas as narrativas e obras de arte, não podemos esquecer que debaixo dela há uma donzela. Se identificar com a armadura é estabelecer fixações que não combinam com a ciclicidade de tudo o que existe. Para as pessoas-Atena que fazem isso, as coisas são preto ou branco, ignorando os infinitos matizes de cores que podem existir entre uma cor e outra. Esse tipo de pensamento dá a ela uma mentalidade rígida como uma armadura, que a impede de se movimentar de maneira fluida pela vida.


A Couraça e o Efeito Medusa: os mecanismos de defesa de Atena

Para proteger a donzela interna que ela acredita ser a sua própria vulnerabilidade, e, em seu ponto de vista, uma fraqueza, a pessoa-Atena cria mecanismos de defesa sempre relacionados a uma intelectualização exagerada das coisas. O mecanismo de defesa que ela utiliza para proteger esse ego que criou para si é a racionalização. Que causa consequências a nível físico e emocional.


Sua couraça de guerra se transforma em uma couraça muscular, como defendia o psicoterapeuta Wilhelm Reich, criando tensões ao longo de seu corpo. O Efeito Medusa petrifica quem está fora. Tornando difíceis as relações e a entrega a emoções intensas, comuns à nossa natureza humana e responsável por criar liga dentro de uma relação.


Companheira de heróis: Atena nos relacionamentos

Isso faz com o que os relacionamentos afetivos de Atena aconteçam mais no plano intelectual do que físico ou emocional. Ela busca pessoas que considera fortes, invulneráveis e que (de preferência) nunca demonstrem fragilidade. Como os heróis Perseu e Odisseu, queridinhos de Atena. Com isso, mais uma vez, ela projeta em outros o poder e a segurança que ela busca contra as suas próprias fragilidades - isto é, contra o conteúdo inconsciente que ainda não acolheu.


Caminhos de crescimento

Neste episódio, comentamos ainda sobre caminhos de crescimento e de liberação para que a pessoa que vive sob esse complexo de Atena possa desvitalizar aquilo que empaca a sua vida e seguir em frente integrando as polaridades da Grande Deusa como um todo. Lá explicamos melhor cada um desses caminhos. Em resumo, eles são:

  1. A morte simbólica do pai poderoso;

  2. A recuperação da criança que nunca foi;

  3. A redescoberta da mãe engolida pelo pai;

  4. A redistribuição da libido.


Exercício para se conectar à Atena interior

Como não podia faltar, você também vai encontrar nesse episódio um exercício de escrita terapêutica para se reconectar com a sua Atena interior e aprender com as lições que essa deusa convoca.


Já separa o papel e a caneta e escuta a pergunta-chave que deixamos para você!


Para escrever este episódio, usamos como material de apoio os livros As Deusas e a Mulher, de Jean Shinoda Bolen e A Deusa Interior, de Roger e Jennifer Woolger.


Se você gostou desse post, saiba vai nos ajudar muito se você puder compartilhar com as pessoas-Atena da sua vida. A gente já te agradece muito!


Dica!

Atena é uma das faces da Grande Deusa fragmentada que forma o feminino na nossa cultura e no nosso inconsciente. Ela é um dos pedaços a serem buscados em nós e seu equilíbrio depende de outras seis deusas, como você pode entender melhor nesse post anterior (aqui).

Uma dessas deusas é Afrodite, a deusa alquímica e do amor. A Inspira lançou O Livro de Afrodite - um guia arquetípico de encontro com a divindade de Afrodite que vive em seu interior. Metade livro de autoconhecimento, metade caderno de escrita terapêutica, contém 233 exercícios e textos reflexivos e instigantes para conversar com o seu inconsciente e fazer a sua Afrodite sair da concha.


Quer saber mais? Clique aqui!