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O que significa ter Hera como deusa interior?


Foto: Darina Belonogova/ Pexels

O que significa ser uma mulher-Hera? Ou o que quer dizer ser um homem-Hera? Quais são as características psicológicas levantadas pela deusa Hera? Hera (ou Juno, como era conhecida pelos romanos) é a deusa do compromisso, das alianças e do casamento na mitologia grega. Mais que uma figura religiosa dos tempos antigos, ela representa um padrão de comportamento que age a partir do inconsciente explicando os tipos de consciência, mecanismos de defesa e os padrões de repetição que uma pessoa que se identifica com o arquétipo pode desenvolver.

Neste episódio do Podcast Imago Mundi, demos os nomes aos conteúdos internos que nos movem a partir da identificação com o arquétipo de Hera. Aqui, a gente resumiu alguns tópicos que surgiram nessa análise da deusa Hera a partir da perspectiva do autoconhecimento e da Psicologia Analítica. Acompanhe o episódio na íntegra agora mesmo apertando o play:



Será que você tem uma Hera dentro de você?

Com a sua postura altiva e autoritária, a pessoa-Hera nunca passa despercebida na multidão. Ela está sempre bem-vestida, de uma maneira conservadora ou seguindo o padrão de feminilidade ou de masculinidade da comunidade em que está inserida. Essa pessoa nunca será a outsider, pois Hera sempre dá um jeito de se ajustar aos padrões, que são para ela importantes fontes da organização e da manutenção da vida em sociedade.


De uma maneira geral, essa não é uma pessoa que costuma questionar do status quo, ela faz o que manda a tradição, o que foi passado a ela de geração a geração e que ela realiza com muito orgulho.


Tudo o que lide com formalidades, tradições, cerimônias (como a do casamento) e regras sociais são um campo que enche a pessoa-Hera de entusiasmo.


O que mais define essa deusa é o seu desejo instintivo de se unir a alguém e nunca mais se sentir só ou incompleta, o que ela pode sentir dolorosamente antes de encontrar a sua “metade da laranja”.


Uma rainha em cativeiro: a consciência de Hera

Assim como a deusa Hera, as mulheres que se identificam com sua personalidade são aquelas que na sua educação foram desestimuladas a várias qualidades que eram classificadas como “coisa de menino”. A cada tentativa da menina-Hera de desbravar o mundo, interrogá-lo ou transformá-lo, ela pode ter ouvido: “Você é menina! Não vai querer parecer um homem, né?”.


Grande deusa da cultura antiga, Hera foi dominada pelo deus conquistador masculino dos povos estrangeiros que invadiram e cocriaram a cultura grega clássica que chegou até nós. Embora ela fosse solenemente reverenciada em rituais, foi igualmente difamada por Homero nos mitos, como uma deusa vingativa, briguenta, ciumenta e uma esposa osso duro de roer.


Mas, por baixo dessas camadas, ainda pulsa a alma vibrante da Grande Deusa Mãe, que vai muito além disso e que se encontra inteira em si mesma.


Vivendo através de outros: o mecanismo de defesa de Hera

De tanto escutar durante a sua educação que os movimentos mais ativos, independentes e livres eram permitidos apenas aos poderosos homens, a mulher-Hera criou uma estratégia do tipo: já que não posso ser como eles, devo me unir a eles.


Esse é o mecanismo de defesa da projeção, e ocorre quando uma pessoa desloca para um outro as qualidades, os defeitos e os desejos que ela desconhece ou recusa em si mesma. Para ela, tudo o que é seu (seu marido, sua esposa, seus filhos, seu carro, sua casa de praia) é melhor do que o dos outros. Ela leva uma existência vicária, onde os outros ocupam o lugar do que ela gostaria de ser.


A ferida da frustração e o narcisismo

É por isso que essa pessoa se torna tão possessiva, ciumenta e raivosa quando se sente traída de alguma forma. É a fúria da frustração. A fúria de quem cria um império e depois vê que ele nunca lhe pertenceu.


No fundo, a grande sombra de Hera é o seu narcisismo. Ela investe e tenta controlar marido, esposa ou filhos como cavalos de aposta porque teme se colocar pessoalmente na arena, onde tudo acontece, e onde ela pode acabar demonstrando que ela também pode falhar e que não é tão invencível e perfeita assim.


O narcisismo, quando é exagerado, expressa um complexo de inferioridade oculto.


1+1=1: Hera nos relacionamentos

A pessoa-Hera pode encontrar nos seus relacionamentos o mesmo padrão ansiado ou vivido pela deusa, do melhor ao pior.


Uma coisa muito observada nas pessoas-Hera é que para elas 1+1 é sempre igual a 1. A consciência amorosa desse arquétipo enxerga que o amor é fusão e dissolução e, com isso, tenta apagar a individualidade daquele com quem escolheu se unir, na tentativa de ver ali um reflexo seu, um eco de si mesmo. O que acende um alerta!


União é poder

Ao mesmo tempo, uma grande lição da deusa Hera em seu estado elevado é a sua capacidade de compromisso, de estabelecer vínculo, de ser leal e de suportar as piores dificuldades ao lado de alguém. Quando Hera escolhe alguém, ela cria conexão verdadeira e vai até o fim por essa pessoa!

Caminhos de crescimento

Neste episódio, comentamos ainda sobre caminhos de crescimento e de liberação para que a pessoa que vive sob esse complexo de Hera possa desvitalizar aquilo que empaca a sua vida e seguir em frente integrando as polaridades da Grande Deusa como um todo. Lá explicamos melhor cada um desses caminhos. Em resumo, eles são:


  1. Menos performance, mais vida interior;

  2. Buscar a sua inteireza e se policiar sobre as projeções;

  3. Entender de onde vem a sua insegurança e buscar confiança em si mesma e, se for o caso, na pessoa com quem você se relaciona;

  4. Descer um pouco do Olimpo e cultivar a humildade.

  5. Transformar a raiva e a dor em trabalho criativo;

  6. Integrar o recolhimento à sua rotina.


Exercício para se conectar à Hera interior

Como não podia faltar, você também vai encontrar nesse episódio um exercício de escrita terapêutica para se reconectar com a sua Hera interior e aprender com as lições que essa deusa convoca.


Já separa o papel e a caneta, aperta o play e escuta a pergunta-chave que deixamos para você!

Para escrever este episódio, usamos como material de apoio os livros As Deusas e a Mulher, de Jean Shinoda Bolen e A Deusa Interior, de Roger e Jennifer Woolger, além das nossas próprias observações..


Se você gostou desse post, saiba vai nos ajudar muito se você puder compartilhar com as pessoas-Hera da sua vida. A gente já te agradece muito!


Dica!

Hera é uma das faces da Grande Deusa fragmentada que forma o feminino na nossa cultura e no nosso inconsciente. Ela é um dos pedaços a serem buscados em nós e seu equilíbrio depende de outras seis deusas, como você pode entender melhor nesse post anterior (aqui).

Uma dessas deusas é Afrodite, a deusa alquímica e do amor. A Inspira lançou O Livro de Afrodite - um guia arquetípico de encontro com a divindade de Afrodite que vive em seu interior. Metade livro de autoconhecimento, metade caderno de escrita terapêutica, contém 233 exercícios e textos reflexivos e instigantes para conversar com o seu inconsciente e fazer a sua Afrodite sair da concha.


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