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O que significa ter Ártemis como deusa interior?


Foto: Anastasia Shuraeva/ Pexels

O que significa ser uma mulher-Ártemis? Ou o que quer dizer ser um homem-Ártemis? Quais são as características psicológicas levantadas pela deusa Ártemis? Ártemis (ou Diana, como era conhecida pelos romanos) é a deusa da caça e da lua na mitologia grega. Ela representa o selvagem em nós, aquilo que é essência e que não pode ser domesticado. Mais que uma figura religiosa dos tempos antigos, ela representa um padrão de comportamento que age a partir do inconsciente explicando os tipos de consciência, mecanismos de defesa e os padrões de repetição que uma pessoa que se identifica com o arquétipo pode desenvolver.

Neste episódio do Podcast Imago Mundi, demos os nomes aos conteúdos internos que nos movem a partir da identificação com o arquétipo de Ártemis.


Aqui, a gente resumiu alguns tópicos que surgiram nessa análise da deusa Ártemis a partir da perspectiva do autoconhecimento e da Psicologia Analítica. Acompanhe o episódio na íntegra agora mesmo apertando o play:



Será que você tem uma Ártemis dentro de você?

A pessoa que se identifica com o arquétipo de Ártemis vai atrás da sua independência em todos os níveis, costuma ser autoconfiante, tem muita vontade de realizar coisas e lutar pelos que precisam de justiça. Ela representa a pessoa que gosta de si em seu estado mais natural, sem artifícios, cerimônias ou floreios. Ela é fiel aos seus próprios valores, intuições e crenças e não faz muita questão de agradar. Ao contrário, essa pessoa pode parecer grosseira, respondona ou reservada.


Sabe aquela história da pessoa que quer largar tudo para viver no meio do mato? Essa pessoa deve ter um pouquinho de Ártemis agindo na consciência. Ártemis prefere os ritmos das estações, os ciclos da lua, a companhia dos animais e a sensação de autossuficiência ao barulho artificial e à velocidade acelerada das cidades, com valores que ela considera esvaziados de sentido.


O espírito indomável: a consciência de Ártemis

Diferente de Atena, Ártemis tem uma energia corporal, que inclusive serve de escape para que ela possa se distrair ou mesmo fugir de muitas decisões importantes. Essa pessoa odeia sentir que existe algo a aprisionando ou cobrando respostas.


Quando Zeus conheceu Ártemis ficou encantado com a filha e resolveu mimá-la dando à pequena deusa o que ela quisesse. Entre seus pedidos, estava o privilégio de fazer as suas próprias escolhas. Para muitas pessoas, escolher pode ser um verdadeiro martírio, mas para as pessoas que tem Ártemis como deusa interior isso é um privilégio e um direito inalienável.


A consciência de Ártemis opera assim: ela só se sente completa quando se considera livre, independente e quando pode pensar e realizar com a própria cabeça; e como deusa da lua, agir a partir da sua própria intuição.


Modo sobrevivência: a sabedoria da natureza

Para as pessoas que se identificam com Ártemis, estamos vivos porque estamos em movimento. O contrário disso seria o equivalente à morte ou abriria caminho para que se instalasse a mentalidade de vítima, o que Ártemis jamais se permitiria ser.


Em um momento de dificuldade, crise generalizada ou cataclismas de qualquer ordem, enquanto muitos pensariam em descansar, tirar um ano sabático para encontrar as melhores soluções, se martirizar ou esperar para ver no que vai dar, a pessoa-Ártemis é aquela que nunca para. Ela está sempre buscando soluções, inventando projetos e abrindo o seu próprio caminho.


Mas não se trata somente de agir. Por trás de cada flecha prateada disparada pelo arco dessa arqueira infalível, há sempre uma intenção, algo que tem que ser verdadeiro para ela, uma causa, um propósito. É daí que ela extrai a vontade, a garra e a persistência que a fazem atingir o objetivo ou morrer tentando, por ela e pelos que ela zela.


"Aquilo que não nos mata nos torna fortes" poderia, muito bem, ser um lema de Ártemis, essa energia de luta e sobrevivência que nos acompanha e está sempre à disposição para nos lembrar que sempre podemos aguentar mais um pouco, resistir e vencer.

A eterna rebelde? A ferida da inadequação e a necessidade de se provar

É muito comum que essas pessoas cuja consciência se identifica com a da deusa Ártemis cresçam em lares onde se sintam negligenciadas e mesmo rejeitadas, seja por força das circunstâncias ou por estarem em desacordo com as preferências ou a mentalidade dos pais. Podem ainda sofrer com a presença de um irmão Apolo, que acaba por cutucar a ferida.


Mesmo que por fora pareçam agir com uma atitude desafiadora; por dentro, não ser querida pelo que são deixa marcas dolorosas. A marca da inadequação é uma delas, o que leva a pessoa a usar a sua autossuficiência como uma maneira de manifestar o orgulho e a autoafirmação, frutos de uma ferida infantil.


A repressão e a raiva de Cálidon: mecanismos de defesa de Ártemis

Sufocar o choro e não se permitir desmoronar é uma atitude inteligente diante de predadores insensíveis e em situações em que a caça é você. Mas algumas pessoas-Ártemis podem se sentir caçadas a todo instante e usar o mecanismo defensivo da repressão o tempo todo. Uma hora, todo o conteúdo reprimido retorna em sintomas físicos e explosões emocionais. É o javali de Cálidon que foi solto e está ansioso por derrubar tudo o que encontrar pela frente.


Muitas pessoas-Ártemis conhecem esse ser que as habita. No episódio comentamos a solução para amansar essa fera capaz de destruir tudo o que é mais sagrado na vida de alguém.


Em busca da igualdade: Ártemis nos relacionamentos

O único homem que Ártemis amou foi um igual, o caçador Órion, com quem caçava e que lhe era extremamente fiel. O parceiro ou a parceira de alguém que tem Ártemis como arquétipo dominante há de ser um igual, que respeite e entenda as suas liberdades, vontades e a sua vida individual. Para ela, o ponto mais evoluído do amor é cultivar a amizade dentro de uma relação.


Mas, infelizmente, na mitologia esse relacionamento não acabou bem, e por culpa da própria Ártemis. Através da experiência da deusa nesse mito, você também pode aprender a lição e preservar o seu parceiro(a) Órion sempre por perto.


Caminhos de crescimento

Neste episódio, comentamos ainda sobre caminhos de crescimento e de liberação para que a pessoa que vive sob esse complexo de Ártemis possa desvitalizar aquilo que empaca a sua vida e seguir em frente integrando as polaridades da Grande Deusa como um todo. Lá explicamos melhor cada um desses caminhos. Em resumo, eles são:

  1. Conhecer os seus próprios limites com relação ao que é solidão e ao que é autonomia;

  2. Superar a sombra do irmão perfeito;

  3. Acolher e usar a energia de ação da raiva destruidora a seu favor;

  4. Exercitar o olhar da humildade e o perdão;

  5. Descobrir dentro de si a sua face Mãe-Ursa.


Exercício para se conectar à Ártemis interior

Como não podia faltar, você também vai encontrar nesse episódio um exercício de escrita terapêutica para se reconectar com a sua Ártemis interior e aprender com as lições que essa deusa convoca.


Já separa o papel e a caneta, aperta o play e escuta a pergunta-chave que deixamos para você!


Para escrever este episódio, usamos como material de apoio os livros As Deusas e a Mulher e Ártemis, de Jean Shinoda Bolen e A Deusa Interior, de Roger e Jennifer Woolger, além das nossas próprias observações.


Se você gostou desse post, saiba vai nos ajudar muito se você puder compartilhar com as pessoas-Ártemis da sua vida. A gente já te agradece muito!


Dica!

Ártemis é uma das faces da Grande Deusa fragmentada que forma o feminino na nossa cultura e no nosso inconsciente. Ela é um dos pedaços a serem buscados em nós e seu equilíbrio depende de outras seis deusas, como você pode entender melhor nesse post anterior (aqui).

Uma dessas deusas é Afrodite, a deusa alquímica e do amor. A Inspira lançou O Livro de Afrodite - um guia arquetípico de encontro com a divindade de Afrodite que vive em seu interior. Metade livro de autoconhecimento, metade caderno de escrita terapêutica, contém 233 exercícios e textos reflexivos e instigantes para conversar com o seu inconsciente e fazer a sua Afrodite sair da concha.


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