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O que significa ter Héstia como deusa interior?


Foto: Kevin Malik/ Pexels

O que significa ser uma mulher-Héstia? Ou o que quer dizer ser um homem-Héstia? Quais são as características psicológicas levantadas pela deusa Héstia? Héstia (ou Vesta, como era conhecida pelos romanos) é a deusa do fogo sagrado, do lar e da família na mitologia grega. Mais que uma figura religiosa dos tempos antigos, ela representa um padrão de comportamento que age a partir do inconsciente explicando os tipos de consciência, mecanismos de defesa e os padrões de repetição que uma pessoa que se identifica com o arquétipo pode desenvolver.

Neste episódio do Podcast Imago Mundi, demos os nomes aos conteúdos internos que nos movem a partir da identificação com o arquétipo de Héstia. Aqui, a gente resumiu alguns tópicos que surgiram nessa análise da deusa Héstia a partir da perspectiva do autoconhecimento e da Psicologia Analítica. Mas, é claro, que no episódio está bem mais completo! Acompanhe o episódio na íntegra agora mesmo apertando o play:



Será que você tem uma Héstia dentro de você?

A personalidade introvertida dos que têm Héstia como arquétipo predominante é normalmente quieta e reservada. Eles fogem dos holofotes e fariam de um tudo para passar despercebidos, sem atrair as emoções e as reações das pessoas.


Essa pessoa não gosta de se meter em discussões polêmicas ou conversas que não levam a lugar nenhum, ela está comprometida com um nível mais profundo de compreensão. Ela pode ser vista como desligada ou desapegada, o que habitualmente é.


O mundo de Héstia é o mundo de dentro e sua sabedoria vem da sua quietude, da atenção que sabe oferecer aos que estão perto e a si mesma.


“Você é o seu próprio lar”: aprendendo com a presença

Uma das grandes sabedorias que Héstia torna disponível a nós é a de carregar seu lar aonde quer que vá.

Quem conhece o lado luz do arquétipo de Héstia transforma corpo em templo e enxerga que sua casa é qualquer lugar onde ela estiver inteira e presente. Com essa mentalidade, ela jamais se sentirá só, inadequada ou sem lugar.


Ela está em casa na vida e não se preocupa em performar o que não é. Em todo lugar, ela pode se sintonizar com a mesma tranquilidade que sentiria se estivesse no sofá da sua sala lendo um livro.


Ritualizar a vida: vivendo o sagrado

Para a pessoa-Héstia, ritualizar a vida é o que dá sentido à existência.


Em seu livro O sagrado e o profano, o filósofo e mitólogo Mircea Eliade escreveu que era a partir da capacidade de se voltar às fontes do sagrado que o homem religioso das sociedades primitivas extraía a sensação de salvar a experiência humana do nada absoluto.


As pessoas-Héstia costumam ter seus rituais de convidar o sagrado para entrar em suas vidas. Seja fazendo o sinal da cruz quando passam em uma igreja, orando ao acordar, se desejando um dia feliz, fazendo afirmações positivas, meditação mindfulness ou simplesmente se permitindo estar presente, inteira e com a atenção focada no que quer que ela esteja fazendo, se tornando totalmente absorvida em sua tarefa.


Somos todos um: o desapego e a consciência de Héstia

O indivíduo que tem Héstia como deusa interior não se identifica com as emoções e não se identifica nem com o próprio ego. Nos templos sagrados de Roma dedicados à deusa Vesta, a correspondente de Héstia, as meninas escolhidas como virgens vestais eram vestidas de forma igual e seus cabelos eram cortados todos à mesma maneira, inibindo qualquer manifestação do que fosse distintivo ou individual.


Esse é o desapego de Héstia, que não vê distinções entre o indivíduo e o todo. É como aquela frase espiritualista que afirma que somos tomos um. E Héstia é o fogo sagrado que liga e anima cada um dos seres, que partilham entre si uma identidade comum e a continuidade do fogo primordial sagrado que é o mesmo e arde em cada casa.


A deusa apagada: o mecanismo de defesa de Héstia

O isolamento é o mecanismo de defesa inconsciente da pessoa que tem Héstia como deusa interior predominante. Quando se vê contrariada, excluída, insultada ou em meios a dramas, Héstia prefere se retirar e não aumentar a conversa. Ela se impõe uma espécie de anonimato e prefere cultivar o retiro e a solidão. E isso pode ter começado na infância, na estrutura familiar em que viveu.


O outro complementar: Héstia nos relacionamentos

O tipo de relacionamento que a pessoa-Héstia costuma buscar é o relacionamento com um par complementar, que não mexa no seu jeito, na sua autonomia e não perturbe a sua paz, mas com quem possa compartilhar histórias, aprender sobre um outro mundo e equilibrar qualidades que ela ainda não desenvolveu. Na ritualística da Grécia Antiga, isso estava representado no deus Hermes.


Caminhos de crescimento

Neste episódio, comentamos ainda sobre caminhos de crescimento e de liberação para que a pessoa que vive sob esse complexo de Héstia possa desvitalizar aquilo que empaca a sua vida e seguir em frente integrando as polaridades da Grande Deusa como um todo. Lá explicamos melhor cada um desses caminhos. Em resumo, eles são:

  1. Desenvolver uma persona;

  2. Aprender a expressar os seus sentimentos e o que pensa;

  3. Treinar uma fala assertiva para poder se defender fora de casa;

  4. Aceitação e disciplina com relação à sua subjetividade.



Exercício para se conectar com a Héstia interior

Como não podia faltar, você também vai encontrar nesse episódio um exercício de escrita terapêutica para se reconectar com a sua Héstia interior e aprender com as lições que essa deusa convoca.


Já separa o papel e a caneta e escuta a pergunta-chave que deixamos para você!



Para escrever este episódio, usamos como material de apoio os livros As Deusas e a Mulher, Ártemis e As Deusas e as mulheres maduras, de Jean Shinoda Bolen, além de O sagrado e o profano, de Mircea Eliade, e das nossas próprias observações.


Se você gostou desse post, saiba vai nos ajudar muito se você puder compartilhar com as pessoas-Héstia da sua vida. A gente já te agradece muito!


Dica!

Héstia é uma das faces da Grande Deusa fragmentada que forma o feminino na nossa cultura e no nosso inconsciente. Ela é um dos pedaços a serem buscados em nós e seu equilíbrio depende de outras seis deusas, como você pode entender melhor nesse post anterior (aqui).

Uma dessas deusas é Afrodite, a deusa alquímica e do amor. A Inspira lançou O Livro de Afrodite - um guia arquetípico de encontro com a divindade de Afrodite que vive em seu interior. Metade livro de autoconhecimento, metade caderno de escrita terapêutica, contém 233 exercícios e textos reflexivos e instigantes para conversar com o seu inconsciente e fazer a sua Afrodite sair da concha.


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