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O que significa ter Deméter como deusa interior?



Mãe se alegra com um sorriso ao segurar e levantar sua filha. O prazer na maternidade representa o arquétipo da deusa Deméter.
Foto: Freepik

O que significa ser uma mulher-Deméter? Ou o que quer dizer ser um homem-Deméter? Quais são as características psicológicas levantadas pela deusa Deméter? Deméter (ou Ceres, como era conhecida pelos romanos) é a deusa do cereal, das colheitas abundantes e da maternidade na mitologia grega. Mais que uma figura religiosa dos tempos antigos, ela representa um padrão de comportamento que age a partir do inconsciente explicando os tipos de consciência, mecanismos de defesa e os padrões de repetição que uma pessoa que se identifica com o arquétipo pode desenvolver.

 

Será que você tem uma Deméter dentro de você?

Uma pessoa que tem a deusa Deméter como arquétipo principal costuma ser como uma colheita em tempos de bonança: abundante e generosa. Ela pode ser aquela pessoa que sente satisfação em cozinhar para os amigos ou para as crianças. Não pra se vangloriar. Mas porque essa pessoa se sente realmente feliz em alimentar e dar força a quem ama.


Alguns tipos de pessoas-Deméter preferem dar esse alimento de outras formas: proporcionando apoio emocional, psicológico ou espiritual, o que elas praticam dando conselhos, abraços acolhedores ou demonstrando prestatividade em momentos caóticos.


Elas costumam ser firmes, sensatas, leais e com os pés no chão, mas sem perder o entusiasmo com a vida.


Quando estão constelando o lado luz do arquétipo, tem um coração enorme, onde não há espaço para preconceito ou distinções de qualquer tipo.


Ela pode ser aquela sua vizinha que recruta a rua inteira para arrecadar agasalhos e doá-los aos desabrigados, aquele homem que ajuda o amigo endividado sem nem pensar duas vezes ou aquela criança observadora, que repara no novo aluno excluído e tenta ajudá-lo a se enturmar.


A mãe do mundo: a consciência de Deméter

Essa é uma consciência movida pela compaixão. É sobre sentir a dor do mundo, percebendo que ela faz parte da sua própria dor. A pessoa-Deméter vê todos como irmãos (para não dizer filhos).


Zelar pelo coletivo se torna uma missão pessoal. E cuidar de si (com autoconhecimento, por exemplo) se torna uma atitude que reverbera no coletivo. Embora essa segunda parte seja uma descoberta que a deusa faz apenas ao longo do mito.


Recordar-se de sua divindade: a jornada de Deméter

Até então vista pelos outros deuses como alguém passível de ser desrespeitada, Deméter revela toda a sua força no momento em que tem sua filha sequestrada. É aí que ela aprende que a sua compaixão começa por si mesma, quando ela se coloca ao seu lado na luta.


Aridez emocional: o mecanismo de defesa de Deméter

Uma pessoa-Deméter contrariada ou ferida pode negar o que a outra pessoa necessita, o que ela faz de forma consciente e deliberada, ou inconsciente e imperceptível.


Ela pode parar de falar com alguém para que sua falta seja sentida; negar contato emocional e físico; ou se afastar da pessoa, sem deixar explicações.


Esse costuma ser seu mecanismo de defesa. Retirar do outro a sua atenção tão vital e nutritiva.


Quando o amor vira apego: Deméter nos relacionamentos

Nos relacionamentos, Deméter é generosa e doadora. Mas também carrega o medo de que aqueles que ama conheçam algo além do seu amor e a substituam. O apego pode gerar ansiedade constante e sufocar as pessoas que estão por perto.



Nem toda heroína usa capa, algumas só ficam invisíveis: a ferida do desmerecimento

Deméter é uma personalidade fazedora. O trabalho que ela oferta – ora de maneira despretensiosa, ora de maneira a sustentar seu apego – não deixa de ser um trabalho pesado.


No entanto, ele parece invisível.


Falar de Deméter é falar também da ferida do desmerecimento.


Lições da deusa

Existem lições que a pessoa que vive sob o complexo de Deméter deve aprender para que possa desvitalizar aquilo que empaca a sua vida e seguir em frente integrando as polaridades da Grande Deusa como um todo. Em resumo, são estas:


  1. Equilibrar os fluxos entre o dar e o receber;

  2. Entender que compaixão sem sabedoria é autodestruição;

  3. Entender que não há que se temer os ciclos da vida;

  4. Dizer “não” quando isso for importante para você;

  5. Abrir mão do apego;

  6. Expandir os objetos para a sua amorosidade;

  7. Manter o coração aberto e insistir na bondade.


Para escrever este episódio, usamos como material de apoio os livros As Deusas e a Mulher e Ártemis, de Jean Shinoda Bolen; A Deusa Interior, de Roger e Jennifer Woolger, e "Persephone's Rising", de Carol S. Pearson.


Se você gostou desse post, saiba vai nos ajudar muito se você puder compartilhar com as pessoas-Deméter da sua vida. A gente já te agradece muito!


Dica!

Deméter é uma das faces da Grande Deusa fragmentada que forma o feminino na nossa cultura e no nosso inconsciente. Ela é um dos pedaços a serem buscados em nós e seu equilíbrio depende de outras seis deusas, como você pode entender melhor nesse post anterior (aqui).

Uma dessas deusas é Afrodite, a deusa alquímica e do amor. A Inspira lançou O Livro de Afrodite - um guia arquetípico de encontro com a divindade de Afrodite que vive em seu interior. Metade livro de autoconhecimento, metade caderno de escrita terapêutica, contém 233 exercícios e textos reflexivos e instigantes para conversar com o seu inconsciente e fazer a sua Afrodite sair da concha.


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